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terça-feira, 3 de junho de 2014

Arte, cultura e jornalismo cultural de ontem e de hoje

A autora Márcia Costa estará em Florianópolis no dia 06 de junho para a realização de um debate sobre o livro De Pagu a Patrícia - o último ato que revela a produção cultural e jornalística de Patrícia Galvão nos seus últimos anos de vida

Nos anos 50 ela já não mais queria ser chamada de Pagu. Depois de trocar a militância política pela militância cultural e pelo jornalismo, Patrícia Galvão chega a Santos (SP) em 1954 para incendiar a cena, atuando como jornalista em A Tribuna, produzindo peças de teatro e eventos literários e difundindo a vanguarda. Esta história é contada no livro De Pagu a Patrícia – o último ato (Dobra Editorial / Fundo de Cultura de Santos), da jornalista e pesquisadora Márcia Costa, cujo objetivo é revelar a intelectual por trás do mito.

 No dia 06 de junho (mês do aniversário de Pagu), às 19h00, Márcia Costa, que é formada em Comunicação Social pela UFJF, participa do lançamento do livro na Biblioteca Pública de Santa Catarina e de um bate-papo com o público sobre a obra.  O evento é realizado pela Editora Pandion de Florianópolis com apoio da Fundação Catarinense de Cultura.

De Pagu a Patrícia – o último ato não se trata de uma biografia, mas de história cultural. A pesquisa iniciou-se durante o curso de mestrado (2006-2008) em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, onde a autora estudou a coluna Literatura, produzida por Patrícia em A Tribuna, e se estendeu com o estudo da relação de Patrícia com o teatro, registrada na coluna Palcos e Atores,  e no levantamento dos fatos históricos que compuseram a cena cultural em Santos e no Brasil dos anos 50. O projeto do livro foi selecionado pelo Fundo Municipal de Cultura de Santos, que financia a publicação. A obra tem prefácio do compositor Gilberto Mendes, amigo de Patrícia, capa produzida pelo artista plástico Fabrício Lopez (xilogravura) e  orelha assinada pelo escritor Flávio Viegas Amoreira.

No jornal A Tribuna Patrícia imprimiu as marcas do seu último ato, onde estão registradas a produção artística da época sob uma visão moderna e cosmopolita. A análise dos artigos de Patrícia e as entrevistas com testemunhas de época permitiram a Márcia Costa narrar a força de Patrícia na luta apaixonada pelo teatro, marcada pela participação na vitoriosa campanha pela construção do Teatro Municipal, na criação da União de Teatro Amador de Santos, no apoio à realização de importantes festivais, no incentivo aos jovens talentos como Plínio Marcos, na formação de grupos amadores e na divulgação e na produção de peças de vanguarda, como Fando e Lis (Fernando Arrabal), A Filha de Rappaccini (Octavio Paz). “A coluna Literatura também mostra uma Patrícia antenada com as vanguardas da época, e serve de guia para se entender a literatura moderna nacional e internacional, onde ela já destacava autores poucos conhecidos como Clarice Lispector e Fernando Pessoa, e onde traduziu nomes como Blaise Cendrars, Henry Heine e Paul Valéry”, diz a autora.

Pelo mundo da cultura – Para escrever suas colunas sobre literatura e teatro, Patrícia mantinha contato estreito com grandes artistas e intelectuais do período. No prefácio da obra o compositor Gilberto Mendes lembra o interesse dela pela Música Nova, produzida por ele e Willy Corrêa de Oliveira (autor da partitura da peça A Filha de Rappaccnini). Por meio de visitas, correspondências, entrevistas, encontros, resenhas ou envio de livros, Márcia traçou um panorama de contatos de Patrícia Galvão que passava por Sábato Magaldi, Alfredo Mesquita, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Casais Monteiro, Cacilda Becker, Sérgio Milliet, Flávio de Carvalho, Lygia Fagundes Telles, Fernando Arrabal, Jean Paul Sartre, Eugène Ionesco, entre muitos outros citados pela jornalista em a Tribuna.

O vasto material publicado por Patrícia no jornal (que então era editado por Geraldo Ferraz, parceiro amoroso e intelectual) e a sua própria prática no campo cultural se traduzem em verdadeiras aulas. Ela discutiu o país por meio das vanguardas culturais e artísticas”, explica a autora. “Aprende-se muito com Patrícia Galvão, mulher generosa, forte e polivalente, intelectual por vezes ofuscada pelo mito”. 


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